Por que desisti da Engenharia Elétrica?
Why I Dropped Out of Electrical Engineering
Pourquoi j'ai abandonné l'ingénierie électrique ?
¿Por qué dejé la Ingeniería Eléctrica?
電気工学を辞めた理由
我为什么放弃电气工程?
Warum ich mein Elektrotechnikstudium abgebrochen habe
Почему я бросил электротехнику?
Recebo essa pergunta com frequência, e às vezes me pergunto a mesma coisa.
I get this question a lot, and sometimes I ask myself the same thing.
On me pose souvent cette question et parfois je me pose la même.
Me hacen esta pregunta a menudo y a veces me pregunto lo mismo.
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Em 2015, eu me formei no técnico em informática integrado ao ensino médio no IFC. Como qualquer adolescente prestes a virar adulto, meu objetivo principal era um só: ganhar dinheiro. Estávamos em 2016, o eco do boom da construção civil ainda soava forte no Brasil, e cursar Engenharia parecia a fórmula mágica. Foi assim que caí na Engenharia Elétrica.
No começo, eu até gostava. Sempre curti matemática, entrei no PET EEL e conheci pessoas incríveis que, olhando em retrospecto, foi o que me segurou lá dentro por tanto tempo. Mas, de forma um tanto contraintuitiva, quanto mais o curso avançava, menos eu me importava.
O primeiro sinal de alerta veio num estágio na GTT Healthcare (hoje Bionexo). Eu era estagiário de produto, mexendo tanto com a parte elétrica quanto com a programação de leitores RFID. A semente da dúvida foi plantada ali: eu estava gostando muito mais de programar em Java e C# para o sistema deles do que de lidar com código C e a eletrônica da geladeira.
Ainda assim, eu continuava na Elétrica e não queria cravar meu destino como analista de produto sem explorar outras áreas. Então, tomei a decisão perfeitamente sensata de largar um emprego CLT e virar estagiário na Intelbras. Foi uma mudança radical, mas eu estava cursando eletrônica e telecom (minhas matérias favoritas), e achei que finalmente iria colocar a mão na massa da engenharia raiz.
Ledo engano.
Na Intelbras, meu maior destaque foi ter feito uma API com Flask. Nunca cheguei a desenhar uma placa sequer ou aplicar nada de telecom. Acredito que tenha sido falta de insistência minha, mas é aquele paradoxo de padaria: o pão é fresquinho porque vende muito, ou vende muito porque é fresquinho? Eu não insistia na elétrica porque não gostava, ou não gostava porque não insistia? Até hoje não sei.
Em algum momento dessa confusão, decidi que já tinha feito a minha parte tentando ser o engenheiro do hardware e aceitei meu destino: eu gostava mesmo era de dados. Se ao ler isso você percebeu o quão sem graça eu sou, saiba que eu também. Kill me now.
Me inscrevi para uma vaga de Analista de Dados na Icaro Tech. Foi a primeira vaga de dados que tentei, e passei de primeira. O RH me ligou para dar a notícia e eu lembro da euforia até hoje (aliás, toda empresa deveria ligar, torna a experiência mil vezes mais legal).
Poucos meses depois, fui realocado para um projeto na TIM, agora como Engenheiro de Dados. Além do escopo ser em uma das três maiores empresas de telefonia do Brasil, algo em engenharia de dados me lembra muito telecom. Pipelines são basicamente os links entre as antenas, eu acho. E o fato de trabalhar num projeto pra TIM foi um link (ba dum tss) muito legal. Profissionalmente, eu tinha me encontrado.
Mas na UFSC, o buraco era mais embaixo. Com a pandemia, a universidade ficou meses parada, e eu simplesmente desconectei. Quando as aulas voltaram, eu já era Engenheiro de Dados full-time. Para o meu empregador, fazia zero diferença se eu ia fechar mais uma matéria de filtros analógicos, ou instalações elétricas. Então, foquei em tirar a certificação de Engenheiro de Dados da Azure. Passei, aprendi muita coisa útil de verdade, e me distanciei mais um pouco da faculdade.
Corta para o final de 2022. Já fazia uns dois anos que eu me arrastava para tentar terminar a faculdade. O que eu fiz para resolver isso? Exatamente a coisa que mais dificultaria o processo: me mudei para São Paulo para trabalhar como Engenheiro de Dados na Shopee.
Se você acha que a ficha caiu e eu tranquei o curso, você subestima a minha teimosia.
Sim, eu tentei fazer um TCC de um curso com o qual eu não tinha contato há dois anos, a 700 km de distância da universidade. Sem orientador. Sem tema. Trabalhando 8h por dia no modelo híbrido, e com 1h de deslocamento entre minha casa na estação São Judas e o escritório na Faria Lima. Minha última tentativa de TCC foi com uma professora da computação, inclusive.
Foi aí que a matemática básica bateu à porta: para fazer qualquer coisa, você precisa de tempo ou de interesse.
- Sem tempo, mas com interesse, a gente dá um jeito.
- Sem interesse, mas com tempo, a gente enrola, mas faz.
- Agora, sem tempo E sem interesse? É impossível.
A culpa de não fazer o TCC me devorava todo dia. Então, eu finalmente tranquei o curso.
Tirei um ano sabático acadêmico. Foi incrível, mas a cabeça vazia logo começou a pensar: “Fiquei 4 anos tentando terminar uma faculdade. É o tempo de fazer uma nova. E se…?”
As opções foram surgindo e caindo: USP Leste era muito longe de casa (e não sei se eu conseguiria fazer a prova da Fuvest sem um tempo de pré-vestibular); UFPR e UTFPR não tinham noturno; UFRGS também não. Como eu não podia mais largar o trabalho para fazer um curso integral, o funil apertou.
Até que pensei: e se eu fizesse o vestibular da UFSC de novo? Eu já conheço a prova, a universidade, a cidade. Conheço até a professora Patrícia, da minha última tentativa de TCC (que se estiver lendo isso, espero que não lembre do meu fantasma no fim da Elétrica).
E foi assim que eu prestei vestibular para Sistemas de Informação.
Começar quase do zero aos 26 anos foi a melhor decisão que já tomei. Finalmente sinto que estou aprendendo o que eu gosto, trabalhando com o que eu gosto e pesquisando o que eu gosto.
Às vezes a ansiedade bate e eu me comparo com meus amigos da Elétrica que se formaram e estão super bem. Mas a verdade é que o match deles com o curso não aconteceu pra mim. E tá tudo bem. Isso não é uma corrida, o sucesso não tem vagas limitadas, e eu aprendi da pior forma que não vale a pena sacrificar a felicidade por causa de uma ideia rígida de futuro.
O importante é que agora estou fazendo o que eu quero, e vivendo o presente.
In 2015, I graduated with a technical degree in IT integrated with high school at IFC. Like any teenager about to become an adult, my main goal was simple: make money. It was 2016, the echo of the civil construction boom still sounded strong in Brazil, and studying Engineering seemed like the magic formula. That’s how I ended up in Electrical Engineering.
In the beginning, I actually liked it. I always enjoyed math, joined PET EEL, and met incredible people who, looking back, were what kept me there for so long. But, somewhat counterintuitively, the further the course progressed, the less I cared.
The first warning sign came during an internship at GTT Healthcare (now Bionexo). I was a product intern, dealing with both the electrical side and programming RFID readers. The seed of doubt was planted there: I was enjoying programming in Java and C# for their system much more than dealing with C code and refrigerator electronics.
Even so, I stayed in Electrical Engineering and didn’t want to seal my fate as a product analyst without exploring other areas. So, I made the perfectly sensible decision to quit a full-time job to become an intern at Intelbras. It was a radical change, but I was studying electronics and telecom (my favorite subjects), and I thought I would finally get my hands dirty with hardcore engineering.
Big mistake.
At Intelbras, my biggest highlight was building an API with Flask. I never got to design a single circuit board or apply any telecom concepts. I believe it might have been a lack of persistence on my part, but it’s that bakery paradox: is the bread fresh because it sells a lot, or does it sell a lot because it’s fresh? Did I not persist in electrical engineering because I didn’t like it, or did I not like it because I didn’t persist? To this day, I don’t know.
At some point in this confusion, I decided I had done my part trying to be the hardware engineer and accepted my destiny: what I really liked was data. If reading this made you realize how boring I am, just know that I know it too. Kill me now.
I applied for a Data Analyst position at Icaro Tech. It was the first data role I tried for, and I got it on the first try. HR called me to deliver the news, and I still remember the euphoria to this day (by the way, every company should call, it makes the experience a thousand times cooler).
A few months later, I was reassigned to a project at TIM, now as a Data Engineer. Besides the scope being in one of the three largest telecom companies in Brazil, something about data engineering reminds me a lot of telecom. Pipelines are basically the links between antennas, I guess. And the fact that I was working on a project for TIM was a very cool link (ba dum tss). Professionally, I had found myself.
But at UFSC, things were more complicated. With the pandemic, the university paused for months, and I simply disconnected. When classes resumed, I was already a full-time Data Engineer. For my employer, it made zero difference whether I passed another analog filters or electrical installations class. So, I focused on getting the Azure Data Engineer certification. I passed, genuinely learned a lot of useful things, and distanced myself a bit more from college.
Cut to the end of 2022. It had been about two years of dragging myself along trying to finish college. What did I do to solve this? Exactly the thing that would make the process the hardest: I moved to São Paulo to work as a Data Engineer at Shopee.
If you think reality hit me and I paused the course, you underestimate my stubbornness.
Yes, I tried to do a thesis for a course I hadn’t had contact with for two years, 700 km away from the university. Without an advisor. Without a topic. Working 8 hours a day in a hybrid model, with a 1-hour commute between São Judas station and the Faria Lima office. My last thesis attempt was with a computer science professor, by the way.
That’s when basic real-life math knocked on the door: to do anything, you need time or interest.
- Without time, but with interest, we find a way.
- Without interest, but with time, we procrastinate, but get it done.
- Now, without time AND without interest? It’s impossible.
The guilt of not doing the thesis devoured me every day. So, I finally dropped out of the course.
I took an academic sabbatical year. It was incredible, but an empty mind soon started thinking: “I spent 4 years trying to finish a degree. That’s the time it takes to do a new one. What if…?”
Options came and went: USP Leste was too far from home (and I don’t know if I could pass the Fuvest exam without some prep-school time); UFPR and UTFPR didn’t offer night classes; neither did UFRGS. Since I could no longer quit my job to study full-time, the funnel narrowed.
Until I thought: what if I took the UFSC entrance exam again? I already know the test, the university, the city. I even know Professor Patrícia, from my last thesis attempt (if you’re reading this, I hope you don’t remember my ghost at the end of Electrical Engineering).
And that’s how I took the exam for Information Systems.
Starting almost from scratch at 26 was the best decision I’ve ever made. I finally feel like I’m learning what I like, working with what I like, and researching what I like.
Sometimes paranoia hits, and I compare myself to my Electrical Engineering friends who graduated and are doing super well. But the truth is, their match with the course just didn’t happen for me. And that’s okay. This isn’t a race, success doesn’t have limited spots, and I learned the hard way that it’s not worth sacrificing happiness for a rigid idea of the future.
The important thing is that I’m now doing what I want, and living in the present.
En 2015, me gradué como técnico en informática integrado al bachillerato en el IFC. Como cualquier adolescente a punto de convertirse en adulto, mi principal objetivo era solo uno: ganar dinero. Estábamos en 2016, el eco del boom de la construcción civil todavía resonaba fuerte en Brasil, y estudiar Ingeniería parecía la fórmula mágica. Así fue como caí en la Ingeniería Eléctrica.
Al principio, hasta me gustaba. Siempre me encantaron las matemáticas, entré al PET EEL y conocí a personas increíbles que, mirando en retrospectiva, fueron lo que me mantuvo allí por tanto tiempo. Pero, de forma un tanto contraintuitiva, cuanto más avanzaba la carrera, menos me importaba.
La primera señal de alerta llegó durante una pasantía en GTT Healthcare (hoy Bionexo). Era pasante de producto, trabajando tanto con la parte eléctrica como con la programación de lectores RFID. La semilla de la duda fue plantada allí: estaba disfrutando mucho más programando en Java y C# para su sistema que lidiando con código C y la electrónica del refrigerador.
Aun así, seguía en la Eléctrica y no quería sellar mi destino como analista de producto sin explorar otras áreas. Entonces, tomé la decisión perfectamente sensata de dejar un trabajo a tiempo completo y convertirme en pasante en Intelbras. Fue un cambio radical, pero estaba cursando electrónica y telecomunicaciones (mis materias favoritas), y pensé que por fin iba a ensuciarme las manos con la ingeniería de verdad.
Gran error.
En Intelbras, mi mayor logro fue haber hecho una API con Flask. Nunca llegué a diseñar una sola placa ni a aplicar nada de telecomunicaciones. Creo que puede haber sido por falta de insistencia mía, pero es ese paradoja de la panadería: ¿el pan es fresco porque se vende mucho, o se vende mucho porque es fresco? ¿No insistí en la eléctrica porque no me gustaba, o no me gustaba porque no insistí? Hasta hoy no lo sé.
En algún momento de esta confusión, decidí que ya había hecho mi parte intentando ser el ingeniero de hardware y acepté mi destino: lo que realmente me gustaba eran los datos. Si al leer esto te diste cuenta de lo boring que soy, debes saber que yo también. Kill me now.
Me postulé para un puesto de Analista de Datos en Icaro Tech. Fue el primer trabajo de datos al que intenté entrar, y pasé a la primera. Recursos Humanos me llamó para darme la noticia y todavía recuerdo la euforia (por cierto, todas las empresas deberían llamar, hace la experiencia mil veces mejor).
Unos meses después, fui reasignado a un proyecto en TIM, ahora como Ingeniero de Datos. Además de que el alcance era en una de las tres mayores empresas de telefonía de Brasil, algo en la ingeniería de datos me recuerda mucho a telecomunicaciones. Los pipelines son básicamente los enlaces entre las antenas, creo. Y el hecho de trabajar en un proyecto para TIM fue un enlace (ba dum tss) muy genial. Profesionalmente, me había encontrado.
Pero en la UFSC, el problema era más profundo. Con la pandemia, la universidad estuvo paralizada durante meses y yo simplemente me desconecté. Cuando volvieron las clases, ya era Ingeniero de Datos full-time. Para mi empleador, le daba exactamente igual si yo aprobaba otra materia de filtros analógicos o de instalaciones eléctricas. Así que me enfoqué en sacar la certificación de Ingeniero de Datos de Azure. Pasé, aprendí muchas cosas realmente útiles y me distancié un poco más de la universidad.
Corte a finales de 2022. Ya llevaba unos dos años arrastrándome para intentar terminar la universidad. ¿Qué hice para resolver esto? Exactamente lo que más dificultaría el proceso: me mudé a São Paulo para trabajar como Ingeniero de Datos en Shopee.
Si crees que me di cuenta y suspendí la carrera, subestimas mi terquedad.
Sí, intenté hacer una tesis de una carrera con la que no había tenido contacto en dos años, a 700 km de distancia de la universidad. Sin asesor. Sin tema. Trabajando 8 horas al día en modelo híbrido, con 1 hora de viaje entre la estación São Judas y la oficina en Faria Lima. Por cierto, mi último intento de tesis fue con una profesora de computación.
Fue ahí cuando las matemáticas básicas de la vida llamaron a la puerta: para hacer cualquier cosa, necesitas tiempo o interés.
- Sin tiempo, pero con interés, nos las arreglamos.
- Sin interés, pero con tiempo, procrastinamos, pero lo hacemos.
- Ahora, ¿sin tiempo Y sin interés? Es imposible.
La culpa de no hacer la tesis me devoraba todos los días. Así que, finalmente, dejé la carrera.
Me tomé un año sabático académico. Fue increíble, pero mi mente vacía pronto comenzó a pensar: “Pasé 4 años intentando terminar una universidad. Es el tiempo que toma hacer una nueva. ¿Y si…?”
Las opciones fueron surgiendo y cayendo: la USP Leste estaba muy lejos de casa (y no sé si lograría pasar el examen de ingreso sin un tiempo de preparación); la UFPR y la UTFPR no tenían clases nocturnas; la UFRGS tampoco. Como ya no podía dejar el trabajo para estudiar a tiempo completo, el embudo se estrechó.
Hasta que pensé: ¿y si vuelvo a hacer el examen de ingreso de la UFSC? Ya conozco la prueba, la universidad, la ciudad. Conozco hasta a la profesora Patrícia, de mi último intento de tesis (que si está leyendo esto, espero que no recuerde a mi fantasma al final de la Eléctrica).
Y así fue como me presenté al examen para Sistemas de Información.
Empezar casi de cero a los 26 años fue la mejor decisión que he tomado. Por fin siento que estoy aprendiendo lo que me gusta, trabajando con lo que me gusta e investigando lo que me gusta.
A veces me entra la paranoia y me comparo con mis amigos de la Eléctrica que se graduaron y les va súper bien. Pero la verdad es que su conexión con la carrera simplemente no sucedió para mí. Y está bien. Esto no es una carrera, el éxito no tiene plazas limitadas, y aprendí de la peor manera que no vale la pena sacrificar la felicidad por una idea rígida del futuro.
Lo importante es que ahora estoy haciendo lo que quiero y viviendo el presente.
En 2015, j’ai obtenu mon diplôme de technicien en informatique intégré au lycée à l’IFC. Comme tout adolescent sur le point de devenir adulte, mon objectif principal n’était qu’un : gagner de l’argent. Nous étions en 2016, l’écho du boom de la construction civile résonnait encore fortement au Brésil, et étudier l’ingénierie semblait être la formule magique. C’est ainsi que je suis tombé dans l’ingénierie électrique.
Au début, j’aimais bien. J’ai toujours aimé les mathématiques, j’ai rejoint le PET EEL et j’ai rencontré des personnes incroyables qui, avec le recul, m’ont fait rester là si longtemps. Mais, de manière un peu contre-intuitive, plus le cursus avançait, moins je m’en souciais.
Le premier signal d’alarme est venu lors d’un stage chez GTT Healthcare (aujourd’hui Bionexo). J’étais stagiaire produit, travaillant à la fois sur la partie électrique et sur la programmation de lecteurs RFID. La graine du doute a été plantée là : j’appréciais beaucoup plus de programmer en Java et C# pour leur système que de traiter le code C et l’électronique du réfrigérateur.
Pourtant, je continuais en Électrique et je ne voulais pas sceller mon destin d’analyste produit sans explorer d’autres domaines. J’ai donc pris la décision parfaitement sensée de quitter un emploi à temps plein pour devenir stagiaire chez Intelbras. C’était un changement radical, mais j’étudiais l’électronique et les télécommunications (mes matières préférées), et je pensais que j’allais enfin mettre la main à la pâte avec la vraie ingénierie.
Grave erreur.
Chez Intelbras, mon plus grand exploit a été de créer une API avec Flask. Je n’ai jamais dessiné la moindre carte électronique ni appliqué quoi que ce soit en télécommunications. Je crois que c’était peut-être par manque de persévérance de ma part, mais c’est le paradoxe de la boulangerie : le pain est-il frais parce qu’il se vend beaucoup, ou se vend-il beaucoup parce qu’il est frais ? Est-ce que je n’insistais pas dans l’électrique parce que je n’aimais pas ça, ou est-ce que je n’aimais pas ça parce que je n’insistais pas ? À ce jour, je ne sais pas.
À un moment donné dans cette confusion, j’ai décidé que j’avais fait ma part en essayant d’être l’ingénieur matériel et j’ai accepté mon destin : ce que j’aimais vraiment, c’étaient les données. Si en lisant ceci vous avez réalisé à quel point je suis boring, sachez que je le sais aussi. Kill me now.
J’ai postulé pour un poste d’Analyste de Données chez Icaro Tech. C’était le premier poste en données que j’essayais, et j’ai été pris du premier coup. Les RH m’ont appelé pour m’annoncer la nouvelle et je me souviens encore de l’euphorie (d’ailleurs, toutes les entreprises devraient appeler, ça rend l’expérience mille fois plus cool).
Quelques mois plus tard, j’ai été réaffecté à un projet chez TIM, maintenant en tant qu’Ingénieur de Données. Outre le fait que le périmètre concernait l’une des trois plus grandes entreprises de téléphonie du Brésil, quelque chose dans l’ingénierie des données me rappelle beaucoup les télécommunications. Les pipelines sont fondamentalement les liens entre les antennes, je suppose. Et le fait de travailler sur un projet pour TIM était un lien (ba dum tss) très sympa. Professionnellement, je m m’étais trouvé.
Mais à l’UFSC, le problème était plus profond. Avec la pandémie, l’université s’est arrêtée pendant des mois, et j’ai tout simplement déconnecté. À la reprise des cours, j’étais déjà Ingénieur de Données full-time. Pour mon employeur, cela ne faisait aucune différence que je valide ou non une autre matière de filtres analogiques ou d’installations électriques. Alors, je me suis concentré sur l’obtention de la certification Ingénieur de Données Azure. J’ai réussi, j’ai vraiment appris beaucoup de choses utiles, et je me suis un peu plus éloigné de la faculté.
Passons à la fin de 2022. Cela faisait environ deux ans que je traînais pour essayer de finir l’université. Qu’ai-je fait pour résoudre cela ? Exactement la chose qui rendrait le processus le plus difficile : j’ai déménagé à São Paulo pour travailler comme Ingénieur de Données chez Shopee.
Si vous pensez que j’ai réalisé la situation et que j’ai suspendu mes études, vous sous-estimez mon entêtement.
Oui, j’ai essayé de faire un mémoire de fin d’études pour un cursus avec lequel je n’avais pas eu de contact depuis deux ans, à 700 km de l’université. Sans directeur de recherche. Sans sujet. En travaillant 8 heures par jour en modèle hybride, avec 1 heure de trajet entre la station São Judas et le bureau à Faria Lima. Au passage, ma dernière tentative de mémoire s’est faite avec une professeure d’informatique.
C’est là que les mathématiques de base de la vraie vie ont frappé à la porte : pour faire quoi que ce soit, vous avez besoin de temps ou d’intérêt.
- Sans temps, mais avec intérêt, on trouve un moyen.
- Sans intérêt, mais avec temps, on procrastine, mais on le fait.
- Maintenant, sans temps ET sans intérêt ? C’est impossible.
La culpabilité de ne pas faire ce mémoire me dévorait chaque jour. Alors, j’ai finalement abandonné le cursus.
J’ai pris une année sabbatique académique. C’était incroyable, mais mon esprit vide a vite commencé à réfléchir : “J’ai passé 4 ans à essayer de finir une université. C’est le temps qu’il faut pour en faire une nouvelle. Et si… ?”
Les options apparaissaient et disparaissaient : l’USP Leste était trop loin de chez moi (et je ne sais pas si j’aurais pu réussir le concours d’entrée sans un temps de préparation) ; l’UFPR et l’UTFPR n’avaient pas de cours du soir ; l’UFRGS non plus. Comme je ne pouvais plus quitter mon travail pour suivre un cursus à temps plein, l’entonnoir s’est rétréci.
Jusqu’à ce que je pense : et si je repassais le concours de l’UFSC ? Je connais déjà l’examen, l’université, la ville. Je connais même la professeure Patrícia, de ma dernière tentative de mémoire (qui, si elle lit ceci, j’espère ne se souviendra pas de mon fantôme à la fin de l’Électrique).
Et c’est ainsi que j’ai passé le concours pour Systèmes d’Information.
Recommencer presque à zéro à 26 ans a été la meilleure décision que j’aie jamais prise. Je sens enfin que j’apprends ce que j’aime, que je travaille avec ce que j’aime et que je fais des recherches sur ce que j’aime.
Parfois la paranoïa frappe et je me compare à mes amis de l’Électrique qui ont obtenu leur diplôme et réussissent super bien. Mais la vérité est que leur compatibilité avec le cursus ne s’est tout simplement pas produite pour moi. Et c’est très bien. Ce n’est pas une course, le succès n’a pas de places limitées, et j’ai appris à la dure que cela ne vaut pas la peine de sacrifier le bonheur pour une idée rigide de l’avenir.
L’important est que je fais maintenant ce que je veux, et je vis dans le présent.